Flávio foge do país, mas Alcolumbre articula para protegê-lo, diz site


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou a aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que pretende preservar o mandato do senador até janeiro de 2027, apesar dos pedidos de cassação apresentados por parlamentares petistas após sua viagem aos Estados Unidos.

A informação foi publicada na quarta-feira (4) pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo interlocutores bolsonaristas ouvidos pela publicação, Alcolumbre indicou, em conversas reservadas, que não dará andamento às iniciativas para retirar o mandato do filho mais velho de Jair Bolsonaro.

Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador viajou para Miami, na Flórida, sem entregar seus passaportes à Polícia Federal, apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A sinalização de Alcolumbre ocorre em meio às articulações para a eleição da presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027. O parlamentar pretende permanecer no comando da Casa e busca ampliar o apoio entre os integrantes da bancada de direita.

Alcolumbre autorizou Flávio Bolsonaro a votar dos EUA
Além das conversas sobre a preservação do mandato, Alcolumbre tomou uma medida que beneficiou Flávio Bolsonaro durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, na terça-feira (3).

De acordo com a coluna de Igor Gadelha, lideranças do PL procuraram o presidente do Senado para pedir que Flávio pudesse participar da sessão remotamente, mesmo sem ter concluído a autenticação de seu novo número de celular.

Em condições normais, o parlamentar precisaria comparecer presencialmente ao Senado para habilitar o aparelho utilizado no sistema de votação.

Alcolumbre, entretanto, aceitou o pedido e acionou a equipe técnica da Casa para liberar o acesso do senador.

Com a autorização excepcional, Flávio conseguiu registrar presença e votar na PEC da Segurança Pública enquanto permanecia nos Estados Unidos.

A medida também permite que ele participe de sessões semipresenciais até o encerramento de seu mandato, em janeiro.

Voto de Flávio Bolsonaro é questionado no Senado
A participação remota de Flávio provocou questionamentos do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).

Na quarta-feira (4), Randolfe apresentou questões de ordem para saber se o senador havia comunicado oficialmente sua saída do país, conforme as exigências regimentais.

O parlamentar também pediu a anulação do voto registrado por Flávio durante a votação da PEC da Segurança Pública.

Alcolumbre respondeu que a participação havia sido autorizada porque a sessão ocorreu em formato semipresencial.

“O senador Flávio Bolsonaro teve condições de votar ontem por um único motivo”, afirmou o presidente do Senado, ao explicar que os parlamentares podem utilizar o aplicativo de votação nesse tipo de sessão.

O presidente da Casa também informou que a situação será examinada.

“Vamos avaliar a questão de ordem apresentada por Vossa Excelência para ver qual encaminhamento podemos dar”, declarou Alcolumbre.

As declarações foram registradas durante a sessão de quarta-feira e reproduzidas pelo Estadão Conteúdo.

Até o momento, não há confirmação de que o voto de Flávio tenha sido anulado.

Alcolumbre tenta conquistar apoio da direita
Segundo a coluna de Igor Gadelha, a sinalização de que não dará andamento aos pedidos de cassação e a autorização para o voto remoto fazem parte da estratégia de Alcolumbre para se aproximar dos bolsonaristas.

O presidente do Senado busca apoio para sua recondução ao cargo em fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura.

A disputa, entretanto, enfrenta resistência dentro do próprio PL.

O partido decidiu apoiar a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência da Casa, em uma tentativa de impedir a reeleição de Alcolumbre.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Marinho afirmou que pretende incentivar os parlamentares de direita a divulgarem publicamente seus votos, apesar de a eleição para o comando do Senado ser secreta.

“Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, declarou.

A estratégia busca evitar que integrantes da oposição apoiem o atual presidente da Casa sem tornar pública essa decisão.

O PL terá 29 senadores na legislatura que começa em 2027. Para conquistar a presidência do Senado, um candidato precisa receber pelo menos 41 dos 81 votos.

Pedidos de cassação ainda não foram arquivados

Embora aliados bolsonaristas afirmem que Alcolumbre pretende preservar o mandato de Flávio, não houve anúncio oficial de arquivamento dos pedidos de cassação.

O presidente do Senado também não apresentou uma decisão definitiva sobre os questionamentos relacionados à participação remota do parlamentar na votação da PEC da Segurança Pública.

Roosevelt Vilela, deputado distrital do PL, criticou a situação econômica do Nordeste ao comentar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. Dados do IBGE e da Fundação Getulio Vargas, porém, mostram redução da pobreza e aumento da renda na região nos últimos anos

Notícias ao Minuto | 06:40 – 05/11/2026



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